Porfírio Livre

"Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido, exceto a própria liberdade!!!” Jean Paul Sarte, filósofo francês, O SER E O NADA (1943)

24 Setembro 2006

UMA VISÃO DE UM MUNDO MARGINALIZADO













O rio Jacaré, que canalizei quando secretário de Desebnvolvimento Social e uma vista aérea da comunidade

UM DOMINGO NO JACAREZINHO ATERRORIZADO PELO CAVEIRÃO
"Os métodos de ação do Caveirão são para implantar o medo, não para garantir segurança".
Depoimento de moradores ao Centro de Mídia Independente

Estava ontem, em campanha, no Jacarezinho quando espocaram 4 foguetes. Era o sinal de que o “caveirão” estava lá, em pleno domingo, quando todos ficam na rua, num frenético vai e vem na feirinha da prainha e no movimentado comércio da Rua Amaro Rangel.
Disseram-me que o tanque de guerra da polícia fluminense estava na Praça da Concórdia, cenário do epílogo do meu romance “O Assassino das Sextas-Feiras”. Pequeno espaço aberto numa favela de barracos amontoados para abrir mais de 80 mil pessoas, a Concórdia irradia se irradia para todo o Jacarezinho.
O domingo dos moradores acabou. Pelo sim, pelo não, todos recolhem-se aos refúgio dos seus barracos de alvenaria. Quando digo todos, falo principalmente dos milhares de trabalhadores, desempregados e velhos de uma comunidade de 75 anos, que cresceu como dormitório do então parque metalúrgico do Jacaré, até a década de 70 o segundo pólo industrial da cidade.
Por que o “caveirão” estava ali, naquele domingo? Não sei. O que posso dizer é que devido às incursões sistemáticas da polícia, que não parece interessada em combater os bandidos, mas em punir a favela onde alguns deles se escondem, o Jacarezinho está virando um grande gueto.
Aberta à qualquer campanha eleitoral, a comunidade não parece este ano envolvida na disputa. São poucos os candidatos, mesmo a deputados, que têm ido lá em busca dos quase 45 mil votos, a grande maioria da 8ª Zona Eleitoral. Os mais ricos estão lá em formas de placas espalhadas em abundância e através de alguns cabos eleitorais profissionais.
Ao contrário do que sempre aconteceu, só alguns candidatos que disputam o governo do Estado incluíram a segunda maior favela do Rio de Janeiro em suas agendas. Marcelo Crivella fez uma encenação e foi lá rapidamente. Eduardo Paes percorreu alguns metros do seu centro comercial, tal como Vladimir Palmeira. Mas os mais cotados – Sérgio Cabral e Denise Frossard – não tomaram conhecimento dos rostos ansiosos daquela gente sofrida e sem muitas esperanças de dias melhores.
Ontem me lembrei da consagradora caminhada de Leonel Brizola, em 12 de outubro de 1982. Naquele ano, o pleito foi em 15 de novembro. E foi exatamente a partir daquele dia que o inquieto gaúcho começou a reverter as pesquisas até ser eleito, apesar da trama da Proconsult, que programou seus computadores para impedir sua vitória.
Como o “caveirão” estava lá e os moradores ficaram nervosos, não pude fazer minha caminhada. Fiquei conversando com algumas pessoas na esquina da Amaro Rangel com a rua Maria Laura, onde fica nosso comitê político, um dos raros instalados lá, em contraste com outros tempos, quando existiam mais de 40 comitês eleitorais.
Dormitório de metalúrgicos
Por ter sido erguido em boa parte por metalúrgicos e trabalhadores do grande Jacaré, o Jacarezinho tem uma história política marcante. Nos anos de chumbo, foi um reduto do voto oposicionista. Lá, Lysâneas Maciel e Edson Khair, deputados do grupo “autêntico” do velho MDB, tinham suas maiores votações.
E não precisavam para isso de montar onerosos “serviços sociais”, como fazem os políticos clientelistas de hoje. É curioso, aliás, que esse tipo de arapuca nunca vingou no Jacarezinho. Enquanto em favelas como o complexo da Maré, e Rocinha os políticos instalam seus consultórios médicos e oferecem serviços de ambulâncias, lá quem tentou angariar votos por este sistema de troca-troca acabou desistindo.
É verdade que, como em outros morros, há no Jacarezinho algumas dezenas de jovens armados, integrados nessa rede de venda de tóxicos. Mas é verdade também que, como em outras favelas, lá não se fabrica, nem se refina qualquer tipo de droga.
As favelas são usadas como pontos de venda exatamente pelo abandono dos governos, que são incapazes de articular políticas sociais sérias e, quando aparecem é para oferecer migalhas, do tipo bolsa família ou cheque cidadão, geralmente manipuladas.
Há nos arredores do Jacarezinho dezenas de galpões fechados, que no passado foram indústrias de grande produção. Até a General Eletric, que tem uma fábrica colada a um bom pedaço da favela e até uma entradinha para o pessoal que vinha de lá prestar serviços, está com sua unidade reduzida a dez por cento do pessoal que empregava há vinte anos.
Pelo que soube, está produzindo apenas algumas lâmpadas. Mesmo assim, de fora, a gente não percebe que funciona alguma coisa onde antes 4 mil trabalhadores batiam o cartão.
Quem quiser entender todo esse ambiente de tensão nas grandes cidades aprenderia muito se tivesse disposição de visitar uma favela como o Jacarezinho. Porque uma favela, por sua natureza, é o maior reflexo da injustiça social, da péssima distribuição de renda, da falta de serviços públicos e da grande chantagem política: nossos homens públicos só costumam aparecer nessas áreas em épocas de eleições e criaram uma idéia de que tudo o que o governo fizer lá será um grande favor, para o qual cobram uma boa fartura de votos.
Não é por acaso que muitos meninos se deixam encantar pela possibilidade de empunhar uma arma e desfrutarem de alguns meses ou anos de poder. Eles sabem que essa é uma conquista efêmera, mas ainda acham que compensa, até porque se consideram marginalizados, independente do que fizerem.
E aí está o nó. Quando fui secretário de Desenvolvimento Social, realizei um programa de “estágios” de adolescentes no Banco do Brasil. Preenchi quase 600 vagas com meninos de favelas. Mais de 200 iam do Jacarezinho para o CPD do banco, na Rua Barão de São Francisco. Nunca recebi uma queixa dos gestores do programa. E de vez em quando, quando percorro suas ruas, encontro um pai de família que me refresca a memória:
- Eu sou um daqueles garotos que trabalhou como estagiário no Banco do Brasil. Hoje, sou bancário, trabalho e mantenho minha casa porque tive uma oportunidade lá. Era o ano de 1990.
Jogo pesado
Ao voltar para casa, num condomínio de classe média de Jacarepaguá, vi mais uma obra dos patronos do “caveirão”. Os “plaqueiros” do ex-chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, candidato a deputado estadual, haviam invadido o terreno de um amigo, na Estrada do Bananal. Num abuso de quem “se garante”, arrancaram duas raras placas que mandei confeccionar e colocaram em seu lugar as do policial candidato.
Teria sido mera coincidência? É provável que sim porque seu pessoal é abusado mais da conta mesmo.
coluna@pedroporfirio.com

19 Setembro 2006

NOTÍCIAS DE CAMPANHA

NOTÍCIAS DE CAMPANHA: APOIOS, PORFÍRIO NA TV E REUNIÃO GERAL
POR FAVOR, REPASSE ESSAS INFORMAÇÕES PARA SEUS AMIGOS

APOIO DE HÉLIO FERNANDES
Maior expressão da imprensa livre do Brasil, o jornalista Hélio Fernandes está recomendando PEDRO PORFÍRIO a seus amigos. Embora o nosso candidato a deputado estadual trabalhe na TRIBUNA DA IMPRENSA desde 1968, esta é a primeira campanha em que o grande brasileiro está empenhando seu apoio pessoalmente.

PORFÍRIO NO HORÁRIO ELEITORAL
Filiado recente a uma legenda pequena, que não tem representação no Congresso Nacional, o nosso candidato PEDRO PORFÍRIO aparecerá no horário eleitoral por 10 SEGUNDOS na noite desta quarta-feira, dia 20 de setembro, Nesse pequeno espaço de tempo, dirá:
“Quero ser a voz da sua indignação, dos taxistas, guardas municipais, servidores, aposentados e massacrados da VARIG - Porfírio – 33123”

REUNIÃO COM PEDRO PORFÍRIO
– Será neste sábado, dia 23, às 10 horas da manhã, o encontro de PEDRO PORFÍRIO com os segmentos que o apóiam. A reunião será na Avenida Presidente Wilson, 164 – 3º andar, Estarão presentes representações dos taxistas, guardas municipais, funcionários e aposentados da VARIG, servidores públicos, leitores da TRIBUNA, e moradores de algumas comunidades. O Grupo da Terceira Idade da Favela do Jacarezinho, que sempre teve o apoio de PORFÍRIO quando vereador, está tentando alugar um ônibus para se fazer presente.

IMORTAL E EX-MINISTRO VOTARÁ EM PORFÍRIO
Tendo tido sempre o voto do professor Darcy Ribeiro, PEDRO PORFÍRIO ganhou o apoio espontâneo do escritor EDUARDO PORTELLA, ex-ministro da Cultura e membro da Academia Brasileira de Letras. O escritor escreveu a PORFÍRIO a propósito de sua última coluna -AEROPORTO SANTOS DUMONT, SEIS DA TARDE:
“Jornalista Pedro Porfírio:
Justo e comovente o seu artigo de hoje. Vou votar em você.
Fraternalmente,
Eduardo Portella”

COMANDANTE APOSENTADO DA VARIG VIRÁ AO RIO SÓ PARA VOTAR EM PEDRO PORFÍRIO
Nosso candidato a deputado estadual recebeu muitos e-mails de apoio de todo o Brasil. Mas o comandante aposentado Mauro Vaz, que mora em Porto Alegre, tomou uma decisão:
“Como é bom saber q podemos eleger alguém como o Sr.
Vamos conseguir mudar tudo isto sim. Conte comigo estarei aí nas eleições, na praça Xavier de Brito, votarei no Sr., comerei um bolinho de bacalhau no Rei do Bacalhau e pegarei meu avião de volta, tenha a certeza disto.
Felicidades, sorte e paciência para aturar esta corja...”.
Mauro Vaz ( VARIG/APOSENTADO EM LIQUIDAÇÃO )
A HORA DA DEFINIÇÃO
Pesquisa do IBOPE faz uma importante revelação: só agora, nos últimos dez dias, os eleitores estão definindo seus candidatos a deputados. No Rio, essa pesquisa prevê uma vitória estrondosa de Fernando Gabeira para deputado federal.

QUAL A SUA CHAPA?
Alguns amigos do PORFÍRIO já fecharam suas chapas e estão enviando a seus conhecidos, num movimento sem precedentes, através da Internet e do Correio.
Veja algumas chapas:
ODILON MARTINS FONSECA, aposentado, pai e sogro de variguianos:
Deputado Federal: Fernando Gabeira - PV - Nº 4321;
Deputado Estadual: Pedro Porfírio - PMN - Nº 33123;
Senador: Alfredo Sirkis - PV - Nº 433;
Governador do Estado: Milton Temer - PSOL - Nº 50;
Presidente da República: Heloisa Helena - PSOL - Nº 50

DOUTORA MALUH, Psicóloga, lutadora incansável, mãe de uma comissária da VARIG, de uma médica e de uma jornalista:
Deputado Federal: Fernando Gabeira - PV - Nº 4321;
Deputado Estadual: Pedro Porfírio - PMN - Nº 33123;
Senador: Alfredo Sirkis - PV - Nº 433;
Governador do Estado: Sérgio Cabral, 15
Presidente da República: Alckimin -45

RODRIGO FARIAS LIMA - Advogado, assessor da Diretoria do jornal O POVO DO RIO e ex-companheiro de prisão de PEDRO PORFÍRIO
Deputado Federal: Vivaldo Barbosa, 1211
Deputado Estadual: Pedro Porfírio - PMN - Nº 33123;
Senador: Jandira Feghali, 651
Governador do Estado: Eduardo Paes, 45
Presidente da República: Heloisa Helena - PSOL - Nº 50

CARLOS FERNANDES, taxista, presidente da Cooperativa LIBERTAXI e membro do coletivo dos taxistas que apóiam PEDRO PORFÍRIO:
Deputado Federal: Brizola Neto, 1234
Deputado Estadual: Pedro Porfírio - PMN - Nº 33123;
Senador: Jandira Feghali, 651
Governador do Estado: Sérgio Cabral, 15
Presidente da República: Heloisa Helena - PSOL - Nº 50

FÁBIO DIAS – Guarda Municipal do Rio de Janeiro e professor de História:
Deputado Federal: Brizola Neto, 1234
Deputado Estadual: Pedro Porfírio - PMN - Nº 33123;
Senador: Jandira Feghali, 651
Governador do Estado: Sérgio Cabral, 15
Presidente da República: Heloisa Helena - PSOL - Nº 50

MACIEL – Taxista na ativa, de 83 anos:
Deputado Federal: Brizola Neto, 1234
Deputado Estadual: Pedro Porfírio - PMN - Nº 33123;
Senador: Dronelles, 111
Governador do Estado: Sérgio Cabral, 15
Presidente da República: Lula, 13

E você? Já compôs sua chapa? Escreva-nos.
CAMPANA DE PEDRO PORFÍRIO
Escritório
Rua Conde Lages, 44 - Sala 311
Glória - Rio de Janeiro
Tel. (21) 2507-3101
FALE COM O PORFÍRIO
(21) 78350680
www.pedroporfirio.com

19 Agosto 2006

CARTAZ DE CAMPANHA

NA LUTA COM HELOÍSA HELENA


30 Julho 2006

UM CRIME CONTINUADO

Aeromoças da Varig merecem respeito

Direitos são direitos - está na Constituição

"A lei trabalhista impõe a sucessão, ou seja, a nova empresa deve assumir todos os débitos, e estes devem ser pagos em dinheiro."
Rodrigo Carelli, procurador do Ministério Público do Trabalho.


Mais do que um crime pontual contra toda uma corporação, o desenlace do complô que abateu a Varig assume ares de uma grande ameaça: a consumar-se o calote trabalhista e previdenciário que deixa seus funcionários e aposentados a verem navios, todos nós estaremos expostos ao mesmo ardil, à mesma punga.
De uma só cajadada querem extinguir obrigações patronais de pagamentos de salários e direitos, enquanto golpeiam os aposentados, numa sinalização macabra sobre o destino dos fundos de pensão complementar.
Todo esse esbulho foi tramado num cenário paradoxal. Por trás da cortina está o governo de um partido que saiu das próprias entranhas das classes trabalhadoras e em seu nome alçou o poder com um balaio de esperanças e um rosário de ilusões.
Não falo de um epílogo, porque, como é do processo histórico, não há crime perfeito. Mas digo que estamos no auge da farsa. É o momento mais perverso. Tão perverso que tenta desfigurar as próprias vítimas, com o canto dantesco do “salve-se quem puder”.
Nesse ambiente de culto da indignidade, não podia ser mais chocante, como reflexo do cinismo em voga, a proposta de uma revista para que aeromoças matem a fome de 110 dias sem salários posando nuas, para saciar a tara sadomasoquista dos robôs forjados por sistema sem alma, sem valores morais e sem princípios.
O massacre da Varig é a ferida mais exposta de uma civilização autofágica.
Eu poderia chorar com vocês as demissões funestas. Poderia apontar o efeito trágico com a morte do comandante Rodrigo da Matta, aos 43 anos, tocaiado pelas nuvens da incerteza. O ainda jovem comandante, mesmo de férias, realizou os exames que a atividade profissional exige a cada ano. Parecia tudo em ordem, conforme os aparelhos que vasculharam seu organismo.
E, no entanto, no fim de uma tarde tensa, quando se anunciava para o dia seguinte a ceifa das cabeças, seu coração foi fulminado pelos nervos à flor da pele.
Poderia falar tanta coisa desses dias tão ínvios e tão cruéis. Poderia transcrever depoimentos pungentes como a emoção da comissária ao desfazer-se de seu uniforme.
Mas eu prefiro alertar para o óbvio: temos uma Constituição e vivemos num regime de direito, que ninguém vai rasgar de uma só penada. NÃO, MESMO!
Como disse na Assembléia dos funcionários da Varig, que me ouviram como a um irmão mais velho, mais que o lamento de toda essa brutalidade cabe a cada um, e a todos juntos, dar a sua resposta em nome de oitenta anos de história que só orgulho proporcionou a todos os brasileiros.
A todos juntos, insisto. O pior que pode acontecer a um profissional é perder a dignidade e expor-se a atitudes como daquele “antigo funcionário” que fez um discurso de encomenda no dia do leilão que ofereceu 11 mil cabeças ao chinês Lap Chan, o representante do fundo norte-americano de investimentos, tido por lá como “abutre”.
A todos juntos, porque não adianta alimentar ilusões ou sonhar com atalhos. Esses que se apoderaram da estrela brasileira não são dignos da confiança de um cego, quanto mais de pessoas provadas num dia a dia de tantos serviços prestados no ar e em terra.
Você acredita mesmo que só vão demitir 5 mil e 500? Você está fora do primeiro listão e se considera um afortunado sobrevivente e já começa a fugir dos parceiros? Você acha que mantendo o seu batente nada mais tem o que fazer para não contrariar suas chefias?
Quanto desespero e quanta ingenuidade. Você que está por dentro da companhia e sabe que está na mura de uma roleta russa. Sabe que só em salários atrasados, devem mais de 106 milhões de reais. Sabe que as verbas rescisórias chegam a 230 milhões. E sabe ainda mais, o que parece mais trágico, que os aposentados do Aerus podem ter suas pensões confiscadas com sua liquidação, até porque já estão sendo surrupiados na maior.
Vá à luta ou se renda para sempre
Você sabe ainda que não pode contar com sua ferramenta mais antiga – o sindicato. Esse pérfido partido, que pretende eternizar-se no poder sob o manto do embuste, tratou de “aparelhar” as entidades classistas, cujo comportamento faz inveja aos antigos pelegos que faziam o jogo dos patrões e do governo em troca de sinecuras como juizes classistas e outras vantagens nas tetas do Ministério do Trabalho.
Com sindicatos inteiramente “dominados”, em que se pontificam as miniaturas da grande traição, você não terá para quem apelar, a menos que descubra, como os colegas de São Paulo e Porto Alegre, que ainda existe a arma do protesto, a greve, a manifestação, da ação trabalhista, o direito de espernear, de não ir mansamente para o abate.
Nesta quinta-feira, haverá uma nova assembléia na mesma ABI de tanta história. Vá lá, chame os demais, inclusive os que ainda não foram alvejados pelo listão da arbitrariedade. Vá lá pensando no conjunto, no que você e seus companheiros representam como patrimônio de conhecimentos acumulados.
Vá ao encontro dos seus e acredite no elo, na possibilidade de reverter tudo isso ou pelo menos garantir os seus direitos mínimos. Vá lá com a altivez que marcou sua vida profissional, que é um acervo de toda a aviação comercial brasileira.
Vá sem medo de ser marcado para o caso de amanhã precisarem de mais gente – hipótese que acho remota. Se precisarem, vão recorrer é a você mesmo, que conhece a companhia por dentro, suas aeronaves e seus segredos.
Se você tiver coragem de brigar pelos seus direitos, eles vão ter mais é que respeitar. Porque, com certeza, seu emprego nunca foi um favor. Ao contrário, se a Varig ainda voa se deve exclusivamente à sua disposição de lutar por ela.
Vá lá, faça chuva ou faça sol, porque se você titubear, nada mais lhe restará senão mostrar o corpo dolorido para leitores da revista de mulheres bonitas ou buscar asilo onde não canta o sabiá.
E se você entregar os pontos no barato, toda esse valhacouto de aventureiros contaminará a sociedade, porque com esses podres poderes, a retidão não conta. Vale, isto sim, a propina que a todos seduz como é da natureza dos nossos dias.
coluna@pedroporfirio.com

20 Julho 2006

UM LEILÃO A JATO FAZ 9 MIL VÍTIMAS

Ane e Porfírio: um aniversário tenso
Crônica de uma tragédia aérea no dia de Santos Dumont
A data não poderia ser mais infeliz: ontem, foi o dia do nascimento de Santos Dumont. Ontem também fez aniversário Ane Horst, uma comissária de vôo que, com seus vinte anos de trabalho, é a cara da própria companhia, espelhada num semblante que jamais a cometeu, nem nos momentos mais tensos de um longo vôo. Entendam como quiserem, mas para mim, a Varig foi abatida no ar ao final de uma longa noite de conspirações contra o Brasil. Esse leilão realizado de frente para a pista do histórico aeroporto carioca, tendo ao fundo a Baía da Guanabara, chegou a ser para mim um espetáculo deprimente. Com certeza, os 80 anos da nossa maior embaixadora não mereciam tanta humilhação. Nem a memória de grandes empreendedores como Ruben Berta. Ao som de turbinas nervosas, um leiloeiro sem brilho batia o martelo de um grande desastre em terra – que fará pelo menos 8 mil vítimas, muito mais do que os vôos fatais que destruíram as torres gêmeas dos donos do mundo. A imprensa aí pode estar dizendo o que quiser. Pode até tecer loas para o Juiz Ayoub, porque a transportadora mãe ainda riscará algumas nuvens carregadas pelas asas de 1.500 sobreviventes. Mas para mim, que sou passageiro desde o tempo do “Convair” a Nova Varig que forjaram sobre o desemprego de seu pessoal da ativa e as incertezas de seus aposentados não será nem a caricatura da majestosa Viação Aérea Riograndense.
Uma triste novela
Acompanhei de perto, como a mais patriótica das missões, toda essa novela como brasileiro que ainda espera conviver com seus símbolos pátrios. E, francamente, com que cara todos os senhores deste país vão pegar um avião, sabendo que em nossos céus, e nos céus de todos os continentes, pairará o fantasma da mais gloriosa de nossas companhias aéreas? Como chegamos a esse pouso forçado? A Varig, saibam todos, era a única companhia brasileira em condições de real competição com as grandes empresas estrangeiras. Era uma referência de primeira linha, de qualidade, segurança e carinho para com todos os passageiros. Eu disse aqui mais de uma vez: aviões e motores podem ser trocados e utilizados em sistema de leasing. Tripulantes e pessoal de terra, não. Vendessem os tapetes luxuosos das salas empavonadas de executivos pífios. Mas não podiam cometer o crime que em vinte anos ninguém conseguirá reparar: o desmonte danoso de toda uma corporação altamente preparada. Pois foi isso que aconteceu. Falo porque vi. Vi com a sensação traumática de que estavam desfazendo nossa mais visível fortaleza voadora. Você perguntará: - Ué, mas a Varig não foi salva? Salva? Salva de que? Quem foi salvo? Pelo que se sabe, e infelizmente não se fala, consumou-se ontem a terceira encenação de uma deprimente trilogia: primeiro, entregaram a VEM – Varig, Engenharia e Manutenção; depois, a Variglog, cujo principal comprador é o Fundo de Pensão norte-americano Matlin Patterson. No terceiro ato, fizeram da Variglog, leia-se fundo de pensão e o chinês Lap Chan, o dono de uma nova empresa sem os compromissos da antiga, inclusive com seus empregados, numa absurda inversão de toda a lógica legal. Vê se você me entende: a Varig começou a ser minada há muitos anos, como já disse aqui. Mas foi nesses últimos quatro anos que a idéia de sacrificá-la ganhou corpo. Para tal violência, não tenha dúvida, o governo federal fez de tudo um pouco. Ou, mais do que isso, fez das tripas coração. Não se limitou a lavar as mãos, como Pilatos, até porque há mãos que não se consiga lavar. E se deixou os trabalhadores da Varig a pão e água, não foi por mero descuido. Nesse triste affaire, há mais coisas no ar além dos aviões de carreira. A partir de agora, como preço mais degradante dessa novela, pilotos, comissários, agentes, recepcionistas, atendentes, ficarão num verdadeiro limbo sem ter como prover seu sustento com a dignidade que marcou sua caminhada. O mercado, que é o Deus do governo petista, não tem como absorver todos esses inigualáveis profissionais. Se muito, uns trinta por cento encontrarão emprego no ramo em que se especializaram como ninguém. E com salários aviltados, como o diabo gosta.
Todos perderão
Daqui para frente, os serviços dos profissionais de todas as companhias não valerão um pote de mel coado. Com desmobilização do pessoal da Varig, as empresas ficarão com a faca e o queijo na mão para “negociar”, contando, alias, com a lânguida omissão dos sindicatos da categoria. No leilão de ontem, vi uma platéia entre confusa e iludida, bater palmas quando o leiloeiro disse que estava aprovada a única proposta levada em consideração. Ninguém falou que a Coop Data de São Paulo tentou se qualificar, mas foi desclassificada por não ter feito o depósito ontem. Mas que pressa foi essa, meu Deus? Não estou querendo aqui em hipótese alguma pôr nada em dúvida. Mas, estou acostumado a situações diferentes, em que há certos prazos e certos procedimentos antes de levar uma empresa ou um bem qualquer a leilão. Na Assembléia dos “credores”de segunda-feira houve uma votação. O juiz anulou os votos da GE, no que fez muito bem, mas convocou o leilão para 48 horas depois, em condições que excluíam a tão lembrada teoria da competição. Além da exigência de um depósito de 24 milhões, me pareceu que, vencendo outro grupo, a Variglog teria que ser ressarcida no que adiantou à Varig com um ágio de 10%. Seria isso mesmo ou eu entendi mal? Nesse caso, com esse prazo e em tais condições, teria de prevalecer o plano que criará a Varig-anã. Um horror. É bom que fique claro que também os 8 mil aposentados estão na mesma. Não há segurança de que serão honradas as dívidas com seu fundo de pensão. Nem que este, que está há quatro anos sob tutela do governo, tenha condições de cumprir com suas obrigações elementares. Só me resta dizer aos bravos variguianos, que isso não pode ficar assim. Do seu túmulo, Santos Dumont há de ressurgir no corpo e alma de bravos como a comissária Ane Horst, que ainda há de ter razões para lembrar seu aniversário de forma menos traumática. Em que possa sorrir e receber o afago do seu filho, da família e de todos os colegas.
coluna@pedroporfirio.com
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16 Julho 2006


Melhorou a vida da classe média? Nem pensar.
“O ajuste do mercado de trabalho se deu, principalmente, nos cargos historicamente ocupados pela classe média, como gerentes de empresas, professores, administradores e cargos da burocracia pública e privada”.
Márcio Pochmann, economista da Unicamp, autor de "Classe Média - Desenvolvimento e Crise".
Confesso que fiquei confuso com a matéria do GLOBO do dia 9, garantindo que sete milhões de pessoas subiram para a classe média. Baseada numa interpretação do Instituto Target ( que nunca vi mais gordo), a matéria era uma festa só: “Mais de dois milhões de famílias brasileiras conseguiram ascender na pirâmide do consumo este ano e chegaram à classe média, o que representa cerca de sete milhões de pessoas. O segmento voltou a crescer, depois de amargar anos seguidos de empobrecimento com a estagnação ou o fraco crescimento econômico do país a partir da década de 80”.
Como não podia deixar de ser, resolvi entender bem essa euforia que, como você sente na pele, é totalmente artificial. Eu não quero afirmar, mas tenho o direito de pensar que estão querendo falar de “qualquer coisa boa” ainda para compensar o sucesso que não aconteceu nos gramados da Alemanha.
Sim, porque não faz muito o próprio GLOBO publicou matéria com outro enfoque sobre a mesma classe média. Exatamente no dia 7 de março de 2006, uma reportagem assinada por Aguinaldo Novo exibia o seguinte título: “Classe média empobrece, muda padrão de gastos e se distancia do sonho de ascensão social”.
Classe média mais pobre
Nessa, anterior à Copa do Mundo e ao período de campanha eleitoral, o repórter escreveu: “Nascida principalmente do processo de industrialização do país até a década de 70, a classe média brasileira sofreu drástico empobrecimento e perda de seu antigo padrão de vida nos últimos anos, por conta do pífio crescimento da economia e do ajuste do mercado de trabalho. Entre 1980 e 2000, cerca de 7 milhões de pessoas perderam seus empregos e, sem alternativa para regressar ao mercado formal de trabalho ou abrir um negócio próprio, deixaram de compor a classe média no país”.
Como sempre faço, apesar do pouco tempo de que disponho por causa da minha própria campanha, corri para as “cartas dos leitores” dos dias seguintes à surpreendente constatação do Instituto Target. Quem manda carta para os jornais é quem responde pela opinião espontânea, portanto mais confiável.
Curiosamente, eu e a Fátima, minha companheira e eterna assistente, encontramos poucas correspondências. Imagino que a maioria dos atuantes leitores daquele jornal ficou com tal matéria entalada na garganta, porque, em primeiro lugar, são eles em grande parte da classe média.
Na edição do dia 11, saíram quatro cartas. Apenas um leitor, Geraldo Nardi, de São Gabriel da Palha, no interior do Espírito Santo, não se mostrou surpreso com a informação.
Flávio de Oliveira, Luiz Ramos da Silva Filho e Eugene Ferraz, este de Atlanta, EUA, desmentiram frontalmente o enfoque da eufórica “revelação”. Flávio Oliveira reagiu: “Grande foi meu espanto quando vi a reportagem no GLOBO sobre a classe média. Esta já não existe há muito tempo, porque vivemos num país que não tem emprego, principalmente com salários dignos, política salarial, educação, saúde, segurança, política habitacional”.
Já Luiz Ramos da Silva Filho comentou: “Quais são os critérios para aferir os dados? Como pode alguém ganhar cerca de três salários mínimos e ser considerado de classe média? Com os critérios atuais, quem ganha mais de dez salários mínimos é considerado rico. A quem isso interessa?”
Finalmente, Eugene Ferraz observou: “Não foram sete milhões que ascenderam à classe média. Foi a classe média que desceu em seu poder de compra para abrigar mais este sete milhões de remediados e com pouco futuro”.
Decomposição visível
Fiz uma pesquisa em minhas próprias colunas e vi que ao longo dos anos venho denunciando o empobrecimento da classe média, principalmente da assalariada, em conseqüência da política econômica neoliberal, das privatizações que redundaram nos cortes de pessoal (no novo emprego pode-se ganhar até três vezes menos) do massacre dos servidores públicos, da “otimização” dos custos nas empresas privadas, e da ofensiva contra os rendimentos dos aposentados, inclusive os que têm complementação por fundos de pensão.
Na matéria que serviu de manchete para O GLOBO de um domingo em que íamos conhecer o campeão do mundo de futebol Cássia Almeida não faz por menos: “. Emprego com carteira assinada em expansão recorde - foram geradas 1.251.557 vagas formais no último ano - crédito farto e renda do trabalhador reagindo (em maio a alta ficou em 7,7%, a maior desde 2002) são as explicações para a faixa intermediária na escala do consumo ressurgir nas estatísticas”.
Primeiro, carteira assinada não quer dizer que seja necessariamente na classe média – antes, pelo contrário. Segundo, faltou dizer qual a demanda anual de novos empregos, acrescentando o resíduo assombroso de desempregados. Só para atender esse crescimento são necessários pelo menos 1.400.000 novas vagas.
Não dá para levar a sério também uma notícia de uma reversão do quadro social para melhor exatamente após um ano em que a economia teve na estagnação a sua marca.
Não precisa ser economista para saber que é impossível melhorar a situação dos brasileiros, principalmente assalariados, quando o Produto Interno Bruto registrou índices humilhantes de crescimento (2,5%), se comparados com a Venezuela e a Argentina, na América Latina, da China e da Índia, no mundo (todos superiores a 9%).
De algum tempo, como já comentei, venho reunindo material para o trabalho que denominei de “A classe média à beira de um ataque de nervos”. Espero produzir um jornal a respeito para distribuir no Rio de Janeiro, onde sou candidato a deputado estadual.
Se você tiver alguma contribuição a oferecer, morando ou não aqui, ainda está em tempo. Precisamos realmente fazer alguma coisa antes que a classe média, que paga todas as contas, desapareça de vez, aprofundando o abismo social.
coluna@pedroporfirio.com

09 Julho 2006

AINDA SOBRE A FALÊNCIA MAL CONTADA



Os abutres da Varig são os coveiros do Brasil
“Só o Poder Executivo está aparelhado para tomar providências urgentes. Uma intervenção breve e imediata evitará a calamidade que se prenuncia. Mesmo que pareça uma estatização. Não há outra saída, danem-se os liberais que viajam de jatinho”.
Alberto Dines, 23 de junho de 2006 (ver artigo transcrito em www.palanquelivre.com)


O que eu mais temia está acontecendo: a definição sobre a Varig vai sendo mandada para as calendas e parte da imprensa já não fala mais nisso. Fico pasmo e revoltado. E culpo também a mim por toda essa tortura. Porque não posso fazer mais do que escrever. E isso é muito pouco para a gravidade do crime.
De uma coisa não tenho dúvida. Isso tudo é uma tremenda conspiração contra todos nós: os abutres da Varig são os coveiros do Brasil. Porque ela, como escreveu Alberto Dines, “muito mais do que a Petrobrás, representa o país no exterior e muito mais do que qualquer outra, simboliza a unidade nacional propiciada pelo desenvolvimento da nossa navegação aérea”.
A insolvência da Varig vem sendo gerada ano a ano, tanto por loucuras de sua administração, simbolizadas pela passagem de 7 executivos por sua presidência em dois anos, como, principalmente, pela insensatez dos sucessivos governos, desde Fernando Collor.
Mas por que associo o cambalacho contra Varig ao Brasil? Por que nossa empresa tem carisma, tem pessoal altamente qualificado e massa crítica própria, capaz de assegurar sua sobrevivência com independência por mais de um século.
Globalização de encomenda
Veja bem: a festejada globalização é um projeto estratégico de consolidação de um sistema. Passou a ser, como está na moda dizer, uma preocupação RECORRENTE, exatamente depois do desmonte do bloco socialista europeu, que servia de biombo para toda e qualquer ignomínia.
À falta do “poderoso inimigo”, como não fabricaram outro a tempo (bem que tentam com os muçulmanos e o triângulo do mal), resolveram construir um modelo internacional, cujo maior objetivo é a apropriação pelas multinacionais das riquezas dos países “de segunda linha”.
Desde o século passado, gravitamos em torno do dólar. Isso nos impediu de dar um grande salto, levou Getúlio Vargas ao suicídio, condicionou as próprias metas de JK e deu no golpe de 1964, quando João Goulart assimilava os diagnósticos da CEPAL e trabalhava com projetos de afirmação nacional.
Como toda economia, a norte-americana exauriu-se. Quem tiver dúvida e tempo para ler, pode deslindar toda essa história lendo “Formação do Império Americano”, de Moniz Bandeira.
Está claro para os poucos norte-americanos que detêm os dados estratégicos de sua economia em frangalhos que a sobrevivência de seu “american way of life” passa pela expansão dos seus tentáculos e a consolidação de sua hegemonia sobre os países satélites.
Onde entra a Varig nessa “digressão”? Ao contrário do que respondeu irritado o visivelmente míope senador Jefferson Perez, a nossa mais tradicional empresa de aviação é um estorvo para o projeto colonial, que vem sendo executado com zelo estratégico e passa pelo confinamento de nossa atividade econômica.
A afronta ao modelo
A Varig é uma das poucas tentativas de capitalismo social com altos índices de competência profissional. Sobre isso, veja o que escrevi aqui na TRIBUNA DA IMPRENSA, em 10 de abril de 2006:
“Ao contrário do que você possa imaginar, a Varig não é nenhuma empresa moribunda, apesar dos seus 79 anos. TEM OS MELHORES ÍNDICES TÉCNICOS DE OPERAÇÃO, INCLUINDO SEGURANÇA DE VÔO, PONTUALIDADE E QUALIDADE DOS SERVIÇOS. Sua taxa de participação no mercado só caiu porque teve de reduzir a frota e em face do noticiário terrorista contra ela.
A própria ministra Dilma Rousseff pôs mais lenha na fogueira, ao passar a idéia, após a reunião de sexta-feira, dia 7, que a Varig está em fase terminal e que o consenso é dar o “tiro de misericórdia, com a sua falência”.
A sobrevivência da Varig é inconveniente para o sistema internacional exatamente pelo que pelo que simboliza como sinônimo de potencialidade de um país e pela garra dos seus funcionários, que impediram o seu assassinato no primeiro leilão e mostraram com coragem rara que podem tocá-la nos mesmos invejáveis padrões. Em toda a América Latina e em muitas nações de outros continentes, quem não se cartelizou foi engolido por capitais do “primeiro mundo”.
O que cunha a nova face do capitalismo é exatamente a empresa sem alma, mais pragmaticamente indiferente à sorte dos seus empregados. Quando “investidores” falam em “sanear” a Varig pensam logo em duas coisas: demitir mais gente (ela já reduziu seu pessoal de 25 mil em 1995 para 11 mil, hoje) e sacrificar os aposentados com a danificação do seu fundo de pensão.
Sob os olhares do “mercado”, o máximo que sobraria seria a marca indelével que significa Brasil com outras letras. O massacre dos seus competentíssimos profissionais é visto como uma regra básica do “saneamento”. Podem até fazer como em outras empresas: demitem, “penduram” as obrigações trabalhistas e depois recontratam alguns como “terceirizados” por metade dos salários de hoje.
Parece igualmente claro, que o governo federal não pode fugir às suas responsabilidades, sob pena fazer um grande mal ao Brasil de hoje e de amanhã. Finalizo por hoje com um trecho do artigo de Alberto Dines, publicado no “Último Segundo”:
Lula e seus conselheiros estão cometendo um erro trágico, de conseqüências imprevisíveis, ao aferrar-se cegamente à decisão de não intervir na situação da Varig. Fiado nas garantias de que “o mercado” daria conta do problema, interessado em exibir ao público externo um perfil liberal, não-intervencionista e, com medo de correr riscos no início da campanha eleitoral, o presidente Lula capitulou. Foge da raia.
Confunde prudência com omissão, deixa-se enganar pela máquina burocrática que aposta na inação para não ser testada em emergências. O governo Lula está cometendo um crime de lesa-pátria ao permitir a implosão da empresa que, muito mais do que a Petrobrás, representa o país no exterior e muito mais do que qualquer outra, simboliza a unidade nacional propiciada pelo desenvolvimento da nossa navegação aérea”.
coluna@pedroporfirio.com